Autoras como Gabriela Morais e Ary Amorim usaram esse tempo para demonstrar seus talentos na escrita.

Jovens escritores surgiram durante esse período de isolamento social por causa da pandemia do novo Coronavírus. Em Fortaleza, no Ceará, como exemplo, temos a universitária da Universidade Federal do Ceará (UFC) – Gabriela Morais, 19, - que cursa Letras e Ary Amorim, 30, - Bibliotecária–que está escrevendo um conto chamado “MA-NO-E-LA".

Segundo Gabriela Morais, o distanciamento social motivou a sua criatividade para escrever durante a quarentena. “Acho que a falta de contato com as pessoas fez com que a necessidade de escrever ficasse mais forte, com o mundo todo fora de controle, ter aquele rápido momento em que eu podia saber e fazer as coisas darem certo nos meus livros, me ajudava a ficar calma e permanecer bem”, respondeu.

Gabriela também contou que esse tempo de quarentena os jovens escritores ganham mais liberdade no ato de escrever. “Com toda certeza o amparo emocional foi o mais forte. Isso porque quando eu escrevo, não havia paredes me prendendo. Eu podia ir para onde quisesse e ser quem eu quisesse. Essa liberdade que a escrita me traz, foi um ponto muito importante para suportar tudo o que a quarentena arrastou para a vida de todo mundo”, afirmou.

De acordo com a jovem escritora, o processo da escrita foi algo que começou desde a infância. “Eu leio desde meus 11 anos, e depois de um tempo e de vários livros, eu comecei a questionar os finais e as ações dos personagens. Atualmente eles me ajudam a viver, de forma que me sinto sufocada quando não escrevo. Escrever para mim é tão essencial quanto respirar ou comer”, redarguiu. Segundo Morais, é necessário não se privar imaginação para poder escrever. “Não se pressionem e continuem imaginando, deixem a criatividade ter vontade própria e não se privem de imaginar”.

Gabriela manda um recado especial para quem jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de escrever um dia. “De início tudo que você escreve parece ruim e se for algo voltado ao gênero de fantasia vai parecer louco, mas com o tempo e as revisões as pontas vão se encaixando. Lutem pelos personagens que criam, porque cada um deles é uma parte sua”, finalizou.

Ary Amorim, 30, é outra jovem talentosa que iniciou a escrita durante esse período de quarentena. Formada em Biblioteconomia, Ary começou a escrever um romance de época, que são aquelas narrativas que usam um determinado período histórico como panorama, mas ficam com afinco, no desenrolar do romance.

Segundo Ary, a sua maior motivação ao iniciar o processo de escrita durante esse o isolamento social veio de si mesma. “A necessidade de ressignificar a condição em que o mundo todo está inserido, transformando em arte. O meu processo de escrita inclui fundamentalmente uma conexão comigo mesma e com o mundo ao meu redor. Como a quarentena nos permitiu olhar um pouco mais para dentro de nós mesmos, uma vez que nos obrigou a diminuir o ritmo acelerado em que vivemos a nossa vida, ela foi uma fonte de inspiração”. A autora também citou os benefícios da escrita. “No meu caso, o maior benefício foi me manter criativa e esperançosa. A arte faz isso conosco”, afirmou.

Sobre a construção do texto de seu conto, Ary Amorim revelou que foi necessário uma profunda reflexão sobre o dois nichos: amor e a paixão. “Eu passei dias refletindo se era possível pensar em amor e paixão em meio a uma pandemia e a uma quarentena, então me sentei e coloquei no papel aquilo que considerei como sendo uma possível resposta à pergunta “É possível?”. É uma história de amor fictícia que nasce no contexto pandêmico trazendo esperança e vida nova. A reflexão foi muito inspiradora”, replicou.

Ao finalizar a entrevista, Ary mandou um recado para futuros jovens escritores: “Escreva! Coloque para fora e depois você pensa no que faz”.

Aos 30 anos, Ary Amorim começou a escrever o seu primeiro livro.

A universitária Gabriela Morais, 19, utiliza suas folgas da faculdade para colocar sua criatividade em prática no papel.

Texto por Jonathan Alves, estudante do Curso de Jornalismo da FaC.


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